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Web Summit Lisboa se consagra como maior evento de tecnologia do mundo

Web Summit Lisboa é o maior evento de tecnologia do mundo, com mais de 70 mil participantes, 1200 palestrantes e mais de 2 mil startups. E este ano de 2020 promete aumentar seus números.

Nosso colunista Adalberto Bem Haja esteve presente em uma missão empreendedora, e relata abaixo como foi sua grande experiência e observações como pessoa e empreendedor no Web Summit Lisboa de 2019.

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Eu sou Adalberto Bem Haja, CEO da BHC Sistemas de Segurança, com sede em São Paulo. E eu fui ao Web Summit, o maior evento de tecnologia do mundo. Apesar de ser realizado em Portugal, a língua oficial do evento é o inglês: um claro recado de que o mundo tecnológico precisa estar em plena sintonia, globalizado e todos falando a mesma língua. Entre os participantes, muitas startups, fintechs e empresários dispostos a conhecer as inovações do mercado ou querendo mostrar as soluções desenvolvidas.

As discussões giraram muito em torno de soluções baseadas em reconhecimento facial, análise de comportamento, IoT (Internet das Coisas, na sigla em inglês), assistentes virtuais e 5G. Outro ponto importante é a preocupação com o avanço tecnológico aliado as questões pessoais. A tecnologia faz sentido desde que ela traga um aumento e uma melhora de experiência para os usuários.

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Veja a seguir os principais pontos que eu destaquei:

1) Tecnologia

Eu vi bastante startups falando de reconhecimento facial e análise de comportamento, ou seja, muito focado em soluções para smart cities, onde você consegue reconhecer indivíduos pela câmera, mesmo com um volume muito grande de pessoas, e você consegue ter traços: se é homem, mulher, faixa etária… Com o reconhecimento facial, juntando com análise de comportamento e a inteligência artificial, você consegue saber quase tudo da pessoa, sem ter o cadastro dela. Vi muita startup pensando nesse tipo de solução. Porém, nenhuma focada no mercado de segurança. Eu acho que a BHC tem uma oportunidade aí, para usar a nossa expertise em segurança para ajudá-los e fazer eventuais parcerias para colocar essas tecnologias dentro do mercado do nosso segmento.

Na questão IoT, cada vez mais presente, teve muita coisa pensando no mercado residencial, perspectiva da casa do futuro próximo 2025, onde você vai ter tudo efetivamente conectado: a fechadura da porta, com a iluminação da casa, com o consumo de luz, de água, ligar a TV, ligar as câmeras, o som… tudo isso sendo possível usando um único aplicativo e usando a internet. Empresas grandes, como a Samsung, apresentaram suas ideias e o quanto estão focadas nisso.

Tinha muita gente olhando para o filão de assistentes virtuais inteligentes e robôs para fazer mini tarefas, o que certamente terá grandes impactos nas relações. 

5G foi algo muito discutido e sem dúvida é um ponto mega importante, realmente a tecnologia que vai permitir trazer disrupção para o nosso mercado de segurança, porque com o 5G vai entregar velocidades muito mais altas e com latência bem menor que o 4G, a expectativa é de que, teoricamente, seja 20 vezes mais rápida e atinja picos de 20 GB por segundo. O ápice atual chega a 1 GB por segundo. Isso significa que a conexão que usamos a 10 Mb por segundo hoje em dia pode se transformar em 100 Mb por segundo nos próximos anos. Essa mudança tornará o mundo todo ainda mais conectado e com troca de informações mais veloz. É aí que a IoT promete entrar estar mais presente. Entendo que para o mercado de segurança vai ser cada vez mais possível trabalhar com soluções em nuvem, sem ter a limitação da banda larga, que hoje é um complicador na hora do desenho dos projetos. Devido à baixa latência oferecida pelo 5G, os tempos de comando e a ação acontecer remotamente permitirá a criação de muitos novos serviços. Poderemos pensar em monitorar remotamente e online qualquer ativo, como carros, caminhões, patinetes, bicicletas com as centrais de monitoramento 24hs interagindo com o dispositivo móvel no caso de alguma ocorrência. Com a entrada do 5G, certamente os analíticos de vídeo ganharão grande espaço nos projetos, pois ficará muito mais viável o incremento de mais camadas de tecnologia trafegando em uma rede de monitoramento.

2) Mercado

Pensando em mercado mundial, a bola da vez foram as fintechs e meios de pagamento, muita gente buscando investir nisso. Um ponto que eu achei bem interessante foi o aumento do número de mulheres em cargos de topo das grandes empresas e todas com uma linha conceitual muito semelhante, que é você humanizar ao máximo a relação com os clientes. As líderes mulheres têm mostrado fortemente que perceberam essa necessidade antes. Todos os planos estratégicos precisam estar focados em qual vai ser a experiência do cliente. Mais importante que ter uma super tecnologia avançada, é ter claro no centro do negócio de qualquer empresa, no plano estratégico de qualquer empresa, que a principal questão é causar boas experiências para o cliente. A tecnologia não tem que vir só porque ela é tecnologia, tem que vir e ficar. A tecnologia faz sentido desde que ela traga um aumento e uma melhora de experiência para os usuários. 

“Vi empresas tratando suas soluções de forma “gameficada”, ou seja, dando poder de interação ao usuário, como suas aplicações fossem games, colocando o cliente com envolvimento central no negócio. Mas mesmo essa relação formal de cliente e empresa, na hora que você coloca um aplicativo, um sistema ou formato de game é percebido um engajamento, o cliente mais feliz, mais contente, mais a fim de interagir com o fornecedor.

3) Evento

Quase não vi empresas do mercado de segurança eletrônica expondo alguma coisa. Mostra que lá fora também existe o desafio que temos aqui no Brasil de buscar romper o conservadorismo desse mercado. Existe muita tecnologia nova e realmente boa que são aplicáveis ao nosso mercado, precisamos estar cada vez mais presentes nesses eventos para conseguir inserir o quanto antes essas tecnologias ao nosso mercado.

4) Portugal

Portugal é uma porta de entrada para a Europa de uma forma mais veloz, já que eles têm feito diversas leis de incentivo para o empreendedorismo. Portugal tem deixado claro que eles querem ser um Hub de tecnologia para a Europa. Ou seja, que todos os países, mesmo da Europa ou da América, levem suas startups para serem incubadas lá. Visitamos uma cidade que chama Oeiras, que eles já estão chamando de “Oeiras Valley”, que o objetivo é ser quase o “Vale do Silício” lá de Portugal. Basicamente é um condomínio high tech, onde algumas empresas grandes estão indo para lá, como a LG, por exemplo, onde dentro dessas empresas eles colocam startups para ficarem convivendo, recebendo mentorias para conseguirem evoluir e serem inseridas no mercado para começar a produzir. Tanto é que eles já têm duas startups que viraram unicórnio, ou seja, com valor de mercado acima de US$ 1 bilhão, e eles têm no plano produzir mais uma dezena de unicórnios nos próximos anos. Startup e tecnologia é o que Portugal está usando como bola da vez.

O Web Summit 2019 é um grande evento em todos os sentidos, e o que eu vi lá é que a tecnologia precisa vir para realmente deixar as pessoas com melhores experiências e não para se tornarem reféns de falsas soluções que não resolvam problemas e tragam melhoria para as pessoas. 

Por Adalberto Bem Haja

Adalberto Bem Haja, engenheiro eletrônico com MBA em gestão estratégica e econômica de negócios, empreendedor desde os 17 anos, founder e CEO da BHC Sistemas de Segurança (empresa de 12 anos no mercado), investidor anjo e mentor de algumas startups que buscam desenvolver soluções tecnológicas para o mercado de segurança.

https://www.linkedin.com/in/adalbertobemhaja

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