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Participei por mais um ano do Web Summit, mas desta vez, como tudo neste ano, foi bem diferente. O evento foi todo online, assim como já tinha ocorrido em junho com Collision Conference, evento do mesmo grupo que acontece anualmente em Toronto. 

Na versão online é muito mais fácil administrar o evento. Para a fase de planejamento não faz diferença, pois mesmo na versão offline havia um aplicativo que permitia selecionar os itens de interesse e montar a agenda. Mas para a experiência do evento, é muito mais simples pular de uma janela para a outra que andar de um pavilhão a outro. Não era raro no evento presencial sair de uma palestra e no caminho para a outra, esbarrar com alguém, ir ao banheiro e chegar já no fim. 

No evento online também não enfrentamos longas filas para conseguir almoçar. Por outro lado, a falta do contato com as pessoas é facilmente sentida. A magia dos grandes palcos, os palestrantes que não tem mais aquele espaço para se movimentar, limitados a um quadrado na nossa frente. Nisto perde-se muito.

Para as startups também não deve ter sido fácil. Abordar investidores sem o papo de café, sem o encontro casual. Para isso o Web Summit trouxe uma ferramenta interessante, o mingle. Uma sala onde você entra e fica ali por três minutos, com um outro participante, escolhido aleatoriamente. Conversei com gente da Índia, do Canadá, do Chile e da Romênia. Poderia ser um pouco menos aleatório (escolher um país, ou uma área de negócio, um interesse), mas valeu a tentativa. Certamente será uma ferramenta a melhorar. 

A programação seguiu a linha parecida como os outros anos. Alguns políticos, celebridades desse universo, sessões um pouco mais mão na massa, concurso de pitches. Destaco a um ótimo e positivo resumo sobre a COVID-19 (como não falar disto, não é?)  pela Johns Hopkins e uma sessão sobre trabalho remoto e como estamos no geral indo tão mal nesta prática. Lalibela Global Networks foi a startup vencedora, dentre outras 140.  Uma empresa da Etiópia que pretende acabar com os papéis nos hospitais. 

Mas a grande questão desse Web Summit foi perceber que, mesmo que o evento volte a ser presencial, provavelmente ele não será mais só presencial. A experiência online traz ganhos de produtividade e alcance que podem ser somados à magia do offline, que nos faz perceber o quanto é de fato grandioso o Web Summit. 

Por Cintia Mano

Cintia Mano é investidora anjo e mentora de negócios, além de Diretora da OilFinder.

É graduada em Ciência da Computação pela UFRJ, Mestre em Administração pelo COPPEAD/UFRJ e participou de programas de educação executiva no MIT, IMD e Schumacher College.

Após 15 anos em posições de liderança em grandes empresas (em Finanças, Estratégia, TI, RH) ela decidiu deixar o mundo corporativo em 2012 e tornar-se sócia da OilFinder, start-up brasileira do setor de Petróleo.

A partir da experiência empreendedora, Cintia envolveu-se mais e mais com o ecossistema de inovação em diferentes papéis: como jurada em competições de pitches, mentora de empreendedores e de programas de aceleração e como investidora anjo.
Atualmente ela investe com a REDangels e a COREangels, dois grupos de anjos que já investiram em mais de 25 startups. Ela foi reconhecida pela Sifted (Financial Times) com uma das mulheres investidoras de destaque em Portugal.

By rt360