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Impulsionado pela pandemia de COVID-19, o avanço da globalização, que já se desenvolvia na integração produtiva e comercial, acelerou para a maior inclusão mundial dos sistemas de trabalho e estudo. Com o incremento das atividades online, passaram a ser mais comuns os casos de alunos das melhores instituições de ensino global que frequentam os cursos mais diversos sem sair de casa. Na mesma toada, empresas que tinham atividades econômicas passíveis de se desenvolver virtualmente passaram a contratar sua força de trabalho além de suas fronteiras. É como resposta a esse fenômeno que o mercado de tecnologia e correlatos encontra-se aquecido.

Tanto é assim, que iniciativas para aumentar a oferta de formação de profissionais de Tecnologia encontram-se à todo vapor. Cursos profissionalizantes, Faculdades e outras atividades formadoras ganham corpo, respondendo à crescente demanda.

Esse aquecimento, além de impulsionar a economia interna, possibilita, de acordo com esse incremento na contratação de pessoal, o desenvolvimento de novas tecnologias e instituições. É que pela redução gradual das fronteiras trabalhistas, aumenta o intercâmbio entre pessoas e conhecimentos de diferentes realidades. É dizer que será possível estudar e trabalhar nos centros tecnológicos mais avançados sem sair de casa. Com o aumento desse tipo de experiência, novos métodos produtivos, além de outras inovações tecnológicas passarão a ser replicadas internamente. Da mesma maneira, as instituições econômicas, políticas e sociais, desde que imbuídas de eficiência, poderão ser “importadas”, com as devidas adaptações, para o Brasil. Ou seja, esse fenômeno do “encurtamento das distâncias” dará azo a um ciclo de desenvolvimento nacional já que, com ele, serão replicadas iniciativas inovadoras, além de instituições eficientes.

Com a convivência perante realidades diversas, seja mediante o desempenho de atividades econômicas, seja pelo exercício de novos aprendizados intelectuais, paulatinamente ocorre o fenômeno do mútuo treinamento: uns e outros, agora num cenário transfronteiriço e cada vez mais globalizado, percebem técnicas, métodos e tecnologias institucionais que possuam eficácia. Esse novo feixe institucional, que possui maior funcionalidade pragmática, começa a determinar, de maneira gradual, as ações de todos aqueles envolvidos. É dizer que os trabalhadores e alunos “sem fronteiras” aprendem as melhores inovações tecnológicas e, ao mesmo tempo, as instituições sociais mais adequadas e funcionais. Essas instituições são fortalecidas pela soma das atuações individuais, e passam a ser replicadas estatalmente por novos marcos legais. É assim que além de impulsionar os ganhos tecnológicos e inovativos, o aprofundamento da globalização impulsiona um melhor cenário legal, mais simples, mais desburocratizado, mais Livre e Justo.

Além disso, essa situação pode impulsionar a retomada de parcelas da economia, com efeitos efetivamente anti-cíclicos. As crises, portanto, não mais afetarão, de maneira intensa, o cenário interno, já que o mercado de trabalho setorial permanecerá aquecido, dando ânimo a atividades econômicas empreendedoras e ao consumo interno. Ou seja, o mercado de trabalho globalizado estará mais imune aos ciclos econômicos, e acarretará a manutenção do mercado interno por meio do consumo, tendencialmente aquecido, e do empreendedorismo. Assim, o mercado de trabalho “sem fronteiras” tende a ser o estopim de um novo ciclo de Desenvolvimento e Inclusão Social.

Por Andre Naves

Defensor Público Federal, Professor, Escritor e Palestrante interessado na ampliação e concretização dos Direitos Humanos, pela Cultura, Literatura e Arte.

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