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Startups criam formas de unir personagens da cadeia de produção e gerar ganho ambiental

Criado para mapear organizações que trabalham na reversão dos efeitos das mudanças climáticas no Brasil, o movimento Onda Verde identificou mais de 700 startups que buscam inovar no combate dos problemas ambientais.

“O que estamos vendo no País, cada vez mais, são empreendedores e investidores transformando o risco ambiental em oportunidades de negócios. É o alvorecer de uma nova economia”, diz Daniel Contrucci, um dos líderes do movimento e diretor da Climate Ventures, plataforma de inovação que tem como propósito acelerar a economia regenerativa e de baixo carbono.

Contrucci observa que essas startups enfrentam a escassez de opções de financiamento na fase pré-escala – ou seja, no período inicial, que costuma durar pelo menos dois anos, até que ela consiga transformar uma boa ideia em faturamento.

“Depois desse ponto, o negócio tende a ser absorvido pelo mercado, mas muitos ficam pelo caminho”, avalia. Para tentar melhorar as condições no ambiente de negócios, a Climate Ventures está lançando uma plataforma dedicada ao chamado “capital paciente”, modalidade em que os investidores não têm pressa para recuperar o capital ou sequer alimentam essa expectativa. Esse tipo de aporte permite aos empreendedores encontrar condições bem melhores de crédito do que as oferecidas pelos empréstimos bancários convencionais.

Vantagens

As soluções trazidas pelas startups com causas ambientais chamam a atenção pela criatividade. Nem por isso deixam de oferecer serviços que contribuem efetivamente para a conservação do meio ambiente e, ao mesmo tempo, geram lucro. É o caso do LandApp, aplicativo que facilita o recolhimento de resíduos da construção civil. De um lado, há o cadastro de motoristas autônomos de caminhões basculantes; de outro, construtoras interessadas em utilizar o serviço. O aplicativo faz o “match” entre as duas partes, com vantagens para ambas.

Além da praticidade de usar um aplicativo, as construtoras têm acesso a preços abaixo da média do mercado e contam com a garantia de destino correto para os resíduos, decorrente do monitoramento realizado pelo aplicativo. “Clientes nos relataram que, antes, precisavam contratar motoboys para seguir os caminhões e conferir se o combinado estava sendo cumprido”, lembra o fundador, Matheus Protti, que se inspirou na profissão do avô, caminhoneiro, para desenvolver a ideia.

Para os 350 profissionais cadastrados na região de São Paulo, uma das vantagens é a racionalização das viagens – ao encerrar uma tarefa, o aplicativo indica um novo frete o mais próximo possível, seguindo a mesma lógica do Uber. Assim, com mais viagens e menos quilômetros percorridos ao longo do mês, a renda aumenta. “O aplicativo oferece [benefícios], como desconto em lojas de autopeças”, ressalta Protti.

Complementação

A LivUp é uma foodtech de alimentação saudável, que comercializa desde refeições prontas até frutas, legumes e verduras frescas – já são 2,5 mil entregas sendo feitas por dia. A parceria com 40 produtores orgânicos envolve garantia de compra, assessoria técnica de agrônomos e concessão de microcrédito para investimentos. “Essa relação direta, sem intermediários, permitiu a redução de custos que torna a parceria benéfica para todas as partes envolvidas”, conta Henrique Castellani, cofundador e COO (diretor de operações).

Uma das grandes preocupações da LivUp, desde o início, foi desenvolver embalagens ambientalmente adequadas. Ainda assim, a empresa não poderia assegurar que todas as embalagens que produz seriam efetivamente encaminhadas para a reciclagem, pois não há como controlar todo o processo.

A solução para esse problema veio da parceria com outra startup com pegada ambiental, a Eureciclo. Essa plataforma assegura o encaminhamento à reciclagem de uma certa quantidade de determinado material, conforme especificações definidas pelo cliente. O processo envolve apenas cooperativas certificadas e totalmente regularizadas, com a emissão de comprovante demonstrando a efetivação da operação. A Eureciclo nasceu da ideia de que é possível assegurar a reciclagem de embalagens produzidas com o mesmo material por outras empresas.

“O que a lei exige hoje, no Brasil, é que a empresa se responsabilize pela reciclagem de pelo menos 22% do que produz, mas muitas das nossas clientes já decidiram chegar a 100% e algumas a 200%, como no caso da LivUp”, diz Marcos Matos, diretor de Marketing e Vendas da Eureciclo. Cada uma dessas modalidades gera um selo de certificação.

FONTE: Terra