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Marc Tawil conversou com dois especialistas, um em Educação Digital, Guilherme Junqueira, outro em Transformação Digital, Andrea Iorio, sobre o futuro da empregabilidade para a Revista Época Negócios

Dados publicados em meados do ano passado pela Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação, a Brasscom, indicavam que o mercado de TI deveria criar, até 2024, 420 mil novas vagas de trabalho. O prognóstico seria absolutamente animador, se, até lá, 150 mil vagas não deixassem de ser preenchidas por… falta de pessoas qualificadas.

Fui perguntar então a Guilherme Junqueira, CEO da Gama Academy, escola com foco em empregabilidade e que forma profissionais nas áreas de Programação, Design, Marketing e Vendas, quão distantes estamos da realidade digital do mundo.

“Muito atrasados. Além da pesquisa da Brasscom, dados apontam que universidades formam por ano 46 mil pessoas com perfil tecnológico, o que ainda é insuficiente, apresentando um déficit de 290 mil profissionais em 2024. A China, por outro lado, forma mais de 4 milhões nas áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática”, me diz ele.

Tendências não faltam, com o modelo de ensino superior começando a migrar para as EdTechs (startups de tecnologia em educação), que oferecem formações mais rápidas do que os 4 ou 5 anos da faculdade, bootcamps práticos e 100% conectados com o mercado Inteligência Artificial.

No futuro, prossegue Junqueira, cuja escola está presente em 24 Estados do Brasil e outros 10 países, protocolos de blockchain farão parte do dia a dia de colégios, professores e alunos – modelos de negócio mais acessíveis, aulas remotas síncronas usando óculos de realidade virtual, validação de proficiência técnica e utilização de entretenimento aliado a educação são outras fortes apostas.

E no mercado de trabalho?

Segundo Junqueira, as 10 profissões digitais da década já estão desenhadas:

  • Desenvolvedor de software
  • Cientista de dados
  • Engenheiro em Inteligência Artificial
  • UX designer
  • Product designer
  • Growth hacker
  • Product manager
  • Sales development representative
  • Customer success
  • Product marketer

O CEO da Gama Academy me revela que, antes da pandemia, a maioria do seu público era de pessoas que, de certa forma, estavam minimamente inseridas no contexto digital.

“Ao longo dos últimos meses, muitos profissionais precisaram se reinventar, se atualizar e se digitalizar. Hoje, aqueles que buscam fazer uma transição de carreira do mercado tradicional para o digital e representam mais de 50% dos novos alunos.”

Especialistas x generalistas

Novo Normal, velho dilema.

Autor dos best-sellers 6 Competências para Surfar na Transformação Digital (Planeta Estratégia) e O Futuro Não é Mais Como Antigamente (eBook Kindle), o palestrante e professor de MBA na Fundação Dom Cabral, Andrea Iorio, apesar do início de década promissor, enxerga no mercado um dilema antigo: “especialistas X generalistas”.

“Ainda existe uma crença de que o profissional especializado é mais bem-sucedido em sua carreira, mas a verdade é que precisamos entender que ser um especialista já não é mais o suficiente. Por quê? Porque o mundo digital está fundado na Interconectividade e na consequente complexidade que nasce disso. Os anos 2020 pedem profissionais que tenham a habilidade para seguir percursos não-lineares (e exponenciais) e conectar pontas aparentemente desconectadas”, me descreve Iorio.

“De que tipo de profissional precisamos? O escritor David Epstein, autor do livro Range: Why Generalists Triumph in a Specialized World (“Por que os generalistas triunfam em um mundo especializado”, em tradução livre), argumenta que os profissionais generalistas são mais preparados para lidar com esta complexidade. Eu iria além: o importante é ter a habilidade de combinar múltiplas áreas do saber de um jeito único e original. Isso sim traz uma vantagem competitiva excepcional.”

Para Indago Iorio, a inteligência dos colaboradores num mundo coalhado de Inteligência Artificial ainda é essencial, mas o foco mudou. “Tradicionalmente, medimos a inteligência de um candidato ou colaborador pelo QI e pelas habilidades técnicas, racionais e lógicas. A notícia ruim? As pessoas de QI mais alto já estão perdendo feio para o QI da Inteligência Artificial – criada pelos humanos. A notícia boa? O QI é uma parte. Podemos ampliar a nossa definição de inteligência para uma que inclua também a Inteligência Emocional, conceito popularizado pelo psicólogo Daniel Goleman, nos anos 1990, em seu livro homônimo.”

Estou com Iorio.

Inteligência Emocional compreende empatia, autoconhecimento e capacidade de se relacionar com os outros – tudo o que nos torna essencialmente humanos. E nada artificiais.

Escrito por Marc Tawil é empreendedor e estrategista de comunicação. Nº 1 LinkedIn Brasil Top Voices, é duas vezes TEDxSpeaker, host do podcast Autoperformance, na Rádio Jovem Pan e lança neste ano, pela editora HarperCollins Brasil, “Seja Sua Própria Marca”. Acesse meu canal oficial no Telegram e no YouTube.

Fonte: Época Negócios

By rt360