fbpx

Parece que a palavra do momento de todos os executivos é: ”Inovação”. Este talvez seja o assunto mais discutido em reuniões de diretoria ou em papos do café, todos sabem da importância em ser disruptivo, criar algo novo, tentar novos negócios, mas em muito dos casos, a inovação acaba não sendo idealizada ou implementada. Mas por quê?

Antes de mais nada, é importante conceituar que existe mais de um tipo de inovação, a chamada incremental, quando basicamente se tem um adicional ao seu serviço ou produto, e aquela chamada disruptiva, onde se cria uma nova necessidade e um novo mercado. Obviamente que a segunda é de maior dificuldade, tanto para ideação quanto para implementação, devido as incertezas. 

Inovar além do cafézinho

Mas afinal, por que ambas as inovações morrem no papo do café? É bastante claro que quando falamos sobre inovação estamos tratando de um assunto sobre incerteza e riscos, e o ser humano não esta apto a atuar nestes ambientes. Tente ter uma ideia nova, algo disruptivo, tenho certeza que em 95% das grandes empresas solicitarão o business plan extremamente detalhados, com previsões de vendas, retorno de investimentos e outros ganhos financeiros, mas sabemos da grande incerteza ao operar um plano de inovação disruptiva. De fato fomos educados a analisar e planejar o faturamento do ano que vem, com base nos números do ano passado, mas poucas vezes pensamos na relevância do nosso negócio nos próximos 10 ou 20 anos.

A resistência pela inovação disruptiva pode estar ligada diretamente a nossa economia de energia, até por questões primitivas, inovar desgasta, cansa e tem uma margem para erros, e em geral, o ser humano além de evitar o desgaste de energia, possui pensamento linear, o que por consequência faz com que um número considerável de pessoas e empresas inovem pouco, mesmo com diversos estudos apontando os ganhos para as empresas que inovam, inclusive, recentemente a Harvard Business Review publicou que 68% das empresas que iniciaram sua jornada de inovação relataram melhorias na rentabilidade. 

Disruptivar

Quando falamos de inovação disruptiva já vem em nossa mente algumas Startups que viraram unicórnios, claro que em geral, as startups são mais inovadoras que grandes corporações e isso acontece por diversos fatores, do apetite ao risco a mentalidade do lean. De qualquer forma, grandes empresas também realizam inovações disruptivas.

Acredito que um grande exemplo seja a Amazon, que aos poucos matou seu próprio negócio que inicialmente era a venda de livros físicos para a criação do Kindle, ou seja, em algumas situações, quando conseguimos superar a resistência para inovar, precisaremos pensar sobre a disrupção do nosso próprio negócio, antes que o concorrente o faça, como aconteceu com Blockbuster, Xerox e até mesmo a Nokia, que tinha 50% de market share em 2006.

Claro que o maior desafio é agir quando se está surfando em mar de altas receitas. O maior faturamento da Nokia foi justamente no ano do lançamento do iPhone, portanto, para você iniciar uma jornada de inovações, seja em pequenas ou grandes empresas, você precisa pensar que tudo isso está ligado com a nossa forma de pensar e com nossos costumes. Caso a inovação não esteja intrínseca na forma em como pensamos, vivemos ou trabalhamos, continuaremos sendo engolidos pelas empresas nativas digitais.

Por Victor Carrero |  especialista em inovação e transformação digital

Formado em Administração de Empresas e Pós-Graduado em Inovação e Empreendedorismo pela Pontifícia Universidade Católica. Possui extensão universitária pela KGIC em Toronto/Canadá. Atua com Inovação e Tecnologia, liderando equipes multifuncionais e gerenciando projetos de médio e grande porte para desenvolvimento de novos produtos ou serviços e mudança cultural.

By rt360