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Investimentos “ESG”, também denominados investimentos com propósito, são aqueles que possuem nas questões da sustentabilidade ambiental (“Environment”), da adequação à maior inclusão social (“Social) e da responsabilização transparente em relação a questões de governança (“Governance”), seu cerne fundamental. Iniciativas de igual teor já vinham engatinhando desde os anos 70, com a “Cúpula do Desenvolvimento Sustentável”, em Estocolmo, em 1972, com o “Relatório Brundtland”, de 1987, com a “Eco-92”, no Rio de Janeiro, além de outras iniciativas similares. No entanto, só mais recentemente essas temáticas adquiriram “musculatura” e passaram a ser analisadas com maior seriedade, principalmente pelas recentes e anuais “cartas de Larry Flink” (gestor da BlackRock), pelo estabelecimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável pela ONU, e pelo advento do “Acordo de Paris”.

Esse tipo de Investimento é direcionado, portanto, para atividades que possuam maior viabilidade em planejamentos de médio e longo prazos, no sentido de que tais iniciativas, por garantirem a maior estabilidade na reprodução produtiva, serão aquelas que perdurarão mais no tempo, atraindo maiores ganhos em sua reprodução, na medida em que seu exercício, além de produzir maiores Inovações, ainda se mostra mais viável na sua capacidade de subsistência. É que além de evitar os desequilíbrios ambientais, as mazelas sociais e as ineficiências de uma governança inadequada, esses empreendimentos devem primar pela resolução dos problemas humanos de longo prazo, seja enfrentando a predação dos recursos naturais, seja incluindo parcelas populacionais precarizadas nos processos criativos e inovadores, seja evitando ineficiências, opacidades e corrupções.

Dessa maneira, pelos efeitos salutares que produzem, esses empreendimentos possuem colaboradores, via de regra, mais engajados e produtivos, além de gerarem maiores retornos, no longo prazo, aos investimentos que recebem. Os investidores, por outro lado, também se sentem satisfeitos ao saber que seus recursos estão incentivando iniciativas que possuam, como propósito fundamental, a melhoria de várias das externalidades negativas correlatas às atividades tradicionais. É assim que o impulsionamento deste tipo de empreendimento é necessário para a atração de recursos que abundam nos mercados internacionais, em virtude dos vários programas de relaxamento monetário, aliados a uma persistentemente baixa taxa de juros. 

É que esses empreendimentos econômicos apresentam maior potencial de lucratividade a médio e longo prazo, já que pela essência de suas atividades, atuam na suavização das pressões e dos conflitos sociais, que podem ser gerados pela exaustão de recursos naturais, pela exacerbação irrazoável das desigualdades sociais, ou pela ineficiência gerencial das atividades. Nesse sentido, as atividades econômicas que atraem os investimentos “ESG” são aquelas que, por operarem no sentido da resolução dos atritos sociais, possuem maior sustentabilidade lucrativa. É que os empreendimentos inovadores vinculados à temática “ESG”, por buscarem a racionalização das atividades, bem como  dos usos dos recursos ambientais e sociais, procuram, acima de não causar problemas, resolver os atritos gerados pela escassez e pelas mazelas sociais. É nesse sentido que as operações de “greewashing”, isso é, meramente cosméticas, ao não produzirem os mesmos efeitos, não geram retornos similares, sendo, portanto, desincentivadas pelo próprio mercado.

Vale destacar que atividades que possuam, como externalidade positiva, a inclusão social e a equalização das desigualdades sociais, também apresentam maiores taxas de retorno em períodos de maturação mais longos: é que essas iniciativas, ao incluírem setores da população socialmente marginalizados, aumenta a carga de contribuição criativa social e, assim, a taxa de Inovações e de prosperidade social. Também as questões relativas à governança apresentam capital importância na rentabilidade agregada da sociedade, na medida em que iniciativas que privilegiem a transparência, a eficiência e a impessoalidade, evitam a predação dos recursos estatais por empreendimentos já ultrapassados e ineficientes, melhorando o ambiente de negócios e as novas iniciativas inovadoras.

É nesse sentido que os investimentos “ESG” impulsionam empreendimentos econômicos mais ambientalmente sustentáveis, socialmente inclusivas e de governança eficiente, transparente e responsável. Ou seja, esses investimentos indicam que o melhor caminho para o Desenvolvimento é a atuação livre e responsável em favor da Justiça.

Por Andre Naves

Defensor Público Federal, Professor, Escritor e Palestrante interessado na ampliação e concretização dos Direitos Humanos, pela Cultura, Literatura e Arte.

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