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Matéria publicada no THE BRIEF 01/04/2020

Seria muito legal ter hologramas e carros que andam por aí sozinhos como parte do nosso dia a dia, não é? Mas e se para atingir isso o preço a ser pago fosse um maior controle no uso da internet? A China recentemente sugeriu uma mudança radical na forma como a internet funciona, sob a alegação de que isso faria com que as novas tecnologias de ponta se tornassem mais viáveis e funcionais. A proposta foi feita para a União Internacional de Telecomunicações das Nações Unidas pelo Ministério da Indústria e Tecnologia de Tecnologia, Huawei, China Unicom e China Telecom. O único problema levantado por alguns críticos é que a nova arquitetura proposta pode beirar o autoritarismo e tirar a liberdade de usuários.

Novos truques, velho jogo

Sob o título de “New IP”, o novo sistema habilitaria a comunicação entre sistemas diversos de rede, como a boa e velha internet e novas tecnologias. Hoje, o procedimento utilizado é o Protocolo de Controle de Transmissão, ou TCP, no qual informações são mandadas via “pequenos pacotes” de mensagens que pulam de computador para computador até chegar ao destinatário. Cada um desses pacotes tem o endereço (ou IP) da máquina de destino, para que depois o texto seja reconstruído na ordem correta. A questão é que esse sistema foi criado há quase 50 anos, e cada vez mais deixa de atender às necessidades do mundo moderno. O New IP permitiria que dispositivos em uma mesma rede se comunicassem diretamente sem ter que mandar informações para dar um rolê pela web.

Propostas divergentes

De qualquer forma, a proposta deixou países como Suécia, Reino Unido e Estados Unidos com os dois pés atrás, já que eles acreditam que um novo protocolo levaria a rede mundial de computadores a uma fragmentação. Por outro lado, a Rússia e a Arábia Saudita deram like no plano chinês (curioso, né? mas vamos deixar a política de lado). A questão é que ambas as visões de como será o futuro da internet andam sendo bastante discutidas, com graus diferentes de aceitação. A primeira defende o acesso livre, aberto e sem intervenção do Estado. A outra tem um viés muito mais controlado e regulado por governos, apresentando um novo protocolo com “recursos de rastreamento” para autenticar e autorizar a adição de novos endereços em uma rede, o que poderia ser utilizado para ficar de olho no tipo de conteúdo que a população está acessando.

O futuro já começou

Segundo apresentação feita pela Huawei para oficiais das Nações Unidas, a infraestrutura TCP/IP se provará insuficiente para atender aos requisitos do mundo digital lá para 2030, com a proposta chinesa sugerindo que as autoridades comecem a pensar em longo prazo. A empresa de tecnologia também afirmou que partes da nova arquitetura de rede já estão sendo construídas com a ajuda de múltiplas empresas, inclusive com testes marcados para o início de 2021. Será que os chineses vão convencer o mundo? A gente segura a onda por enquanto e espera para ver no que vai dar.

Fonte: THE BRIEF 01/04/2020

Colaboração: Marco Barnaba

Especialista no mercado Telecom de Operadoras e Distribuidoras, empresário e gestor comercial. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marco-a-barnaba-18952323/

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