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Em razão do isolamento social, nos últimos meses, os aplicativos de pagamentos tiveram um aumento exponencial de usuários e, hoje, já são responsáveis por movimentar milhões de reais diariamente. O PayPal, por exemplo, entre abril e junho deste ano, movimentou mais de US$ 220 bilhões (cerca de R$ 1,19 trilhão) em todo o mundo.

Apesar da facilidade que os apps de pagamentos promovem, em contrapartida, os usuários precisam compartilhar informações pessoais e bancárias para que os serviços sejam efetivados.

Esses dados, porém, nem sempre são tratadas de forma transparente pelas plataformas que, em muitos casos, omitem as regras de tratamento ou, simplesmente, deixam de informar claramente os clientes sobre os processos por trás do armazenamento de informações.

Afinal, quais dados os aplicativos de pagamento coletam?

As políticas podem mudar de acordo com a empresa, mas de forma geral, as fintechs, por exemplo, pedem dados básicos, como nome, CPF e endereço, e dados mais sensíveis, como biometria facial. O motivo, segundo elas, é para ajudar a identificar fraudes.

Alguns apps vão um pouco mais adiante e pedem acesso à lista de contatos para, dizem, facilitar o envio de dinheiro para pessoas próximas.

Apesar desses argumentos, especialistas dizem que a captação desses dados pessoais é muito mais ampla e que muitas marcas os usam para lucrar. Isso acontece porque empresas terceiras compram informações pessoais para personalizar anúncios, criar produtos específicos e até direcionar serviços.

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No Brasil, o PicPay é uma das principais carteiras de pagamento, somando mais de 20 milhões de cadastros, segundo dados da fintech. Foto: Andressa Freitas/Divulgação

O problema é que, sem conhecer, muitas pessoas não sabem que são vítimas de vendas de dados, como explica Alan Butler, diretor executivo interino do Electronic Privacy Information Center (Epic). “É muito provável que os clientes não percebam que as empresas estão monetizando suas informações de transações”, diz o diretor. Butler também alerta que nem todas as plataformas fazem isso, mas trata-se da maioria.

Como os apps podem manter a privacidade dos clientes?

Apesar dos dados básicos que são necessários para o funcionamento dos aplicativos, especialistas dizem que há informações que não necessitam ser captadas para que os usuários utilizem esses serviços.

Kaili Lambe, ativista sênior da Mozilla Foundation, comenta que os consumidores têm o direito de saber como as empresas estão usando os próprios dados. Ela afirma que políticas de privacidade precisam ser claras e não devem conter textos jurídicos, porque isso dificulta a compreensão.

Desta forma, segundo ela, os usuários só vão autorizar o compartilhamento de informações que eles julgam necessárias, e a privacidade fica sob responsabilidade do cliente, que é o dono dela, e não da empresa.

Para quem quer fugir da venda de dados, Eva Galperin, diretora de segurança cibernética da Fundação Fronteira Eletrônica (EFF), uma ONG de proteção aos dados pessoais, adverte que os pagamentos tradicionais, como dinheiro e cheques ainda são as melhores opções para transações em que o consumidor quer manter o sigilo. “Pense de verdade na transação e quem você quer que saiba dela”, afirma.

Fonte: The Markup

Por Wesley Santana, 32 de novembro, Portal Olhar Digital

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