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Como o design thinking pode ajudar a promover seus negócios

Por Ivone Rocha

Existem muitas definições para o design thinking. Há quem diga que é um conjunto de ideias e insights para visualizar o problema e, com isso, ter uma solução mais rápida e eficaz. Outros afirmam que é uma nova forma de pensar a partir da apresentação do desenho do problema, o que ajuda a ver o processo como um todo. Há ainda quem define como uma forma de estimular a criatividade utilizando um modelo mental que pode ser adaptado à jornada de inovação. Na verdade, todas essas definições procedem, mas o mais importante é entender que o design thinking (DT), embora não seja tão recente  – tem origem no final da década de 1960 – foi a partir do avanço da tecnologia, sobretudo a partir dos anos 2000, que ele se estabeleceu como um conceito ou um processo que tem auxiliado empresas grandes ou pequenas em soluções dinâmicas e versáteis que impulsionam os negócios. Daí sua relação com as novas tecnologias. E os reflexos surgem a partir do foco na ponta, que é o consumidor final. 

Como destaca artigo intitulado “O que é design thinking e como usá-lo em processos de inovação nos negócios”, publicado no Estadão (jun/2019), é preciso “um olhar mais humano, onde a equipe dos projetos de inovação deve desenvolver empatia pelo contexto do problema, sendo parte dele para entender as reais necessidades de quem o vive – o cliente”. Sob essa perspectiva e usando a inovação e o espírito criativo se consegue desenhar a problemática e enxergar nela a solução. Assim é o DT, porém, ele não está focado apenas no problema complexo, como possa parecer. Ele mostra (ou estimula a visão para) o melhor caminho a ser percorrido no sentido da solução, e de uma maneira mais clara, transparente e objetiva. 

A revista Business Week, quando trata do tema, o considera um processo de inovação que consiste em criar modelos de negócio e desenvolver novo mercados que possam atender às necessidades humanas até então não contempladas nesses processos, cada vez mais em tempos recordes. Assim, além de processos estruturais, logísticos ou de produção industrial, o DT contribui em atividades ligadas à comunicação, ao marketing e às novas mídias, já que são setores com visão estratégica muito mais ligada ao consumidor.

Já nos anos 1990, quando se trabalhava o DT, mas com pouca audiência, falava-se em uma filosofia de gestão, a chamada Total Quality Management (gestão da qualidade total), criada por pelo professor americano, William Edwards Deming, em 1986. “Com o passar do tempo, empresas passaram a perceber que já não bastava oferecer apenas superioridade tecnológica ou excelência em desempenho como vantagem mercadológica, pois tanto as companhias de pequeno quanto as de grande porte espalhadas pelo mundo já haviam começado a se adequar a esta realidade”, como bem argumenta Maurício Vianna (et al) o livro Design thinking: inovação em negócios, de 2012.

Outra consideração importante, antes de ingressarmos nas etapas de desenvolvimento do design thinking, é que com ele é possível analisar problemas ou discutir questões a partir de diversos olhares e sob variados ângulos. Assim, é possível desconstruir crenças e suposições dos stakeholders, modificando padrões previamente estabelecidos, que podem ser engessados, o que auxilia sobremaneira na quebra de paradigmas, que são desafios importantes de organizações, sobretudo em tempos de novas tecnologias. Um bom exemplo e que pode ajudar no entendimento acerca do DT é o mapa conceitual, “uma visualização gráfica construída para simplificar e organizar  os complexos campos em diferentes níveis de profundidade e abstração”, como explica Viana (et al), o que tem muito a ver com o DT. Entretanto, enquanto o mapa apresenta o desenho do problema ou da questão a ser resolvida, o DT mostra graficamente, e também em forma de desenho, os caminhos para a solução. 

Figura 1: Modelo de mapa conceitual
Fonte: arte desenvolvida pela autora a partir de imagem do app Canva

O DT trabalha uma metodologia que contempla ideia e criação, isso porque são características que perpassam todo o processo, no tocante à solução do problema identificado, compreendido pelas seguintes fases: imersão, ideação e prototipação.

A imersão compreende o momento em que a equipe envolvida mergulha no problema, tanto de forma preliminar quanto em profundidade. Essas, aliás, são as duas etapas compreendidas pela imersão. A preliminar atua contextualizando o problema. A de profundidade vai no seu detalhamento, com vistas a um melhor desempenho possível. A segunda fase compreende a ideia, daí seu nome ideação, e trabalha a criatividade no sentido de planejamento e estratégias que levem a soluções inovadoras. É comum, nessa fase ocorrerem braimstormings que auxiliem em insights para a cocriação.   O passo seguinte no processo do design thinking é o de experimentar as ideias trabalhadas, por meio de protótipos, os quais já se aproximam do desenho que compreenderá a solução para o problema identificado. Daí o nome de prototipação para esta terceira fase, a qual contempla os protótipos, também chamada de fidelidade da equipe com o problema; os testes que correspondem à contextualidade; e por fim a efetiva prototipação, que é a validação de tudo o que ficou estabelecido.

Figura 2: Matriz de posicionamento, ferramentas do DT que apresenta as ideias geradas. É um recurso utilizado para validar as ideias dentro do critério Norteadores.
Fonte: Livro Design thinking: inovação em negócios, pag. 111.

Agora, comece a pensar a partir desses entendimentos do design thinking. Chame pessoas de sua confiança e que você sabe que estarão comprometidas com a solução para os seus desafios. Depois, façam uma imersão sobre o problema, discuta as ideias na perspectiva da inovação que os públicos esperam e montem um protótipo. Com isso, seus negócios estarão a um passo do sucesso. Experimente!

Por Ivone Rocha

https://www.linkedin.com/in/ivonerocha/

Consultora de negócios eletrônicos e pedagógica, professora universitária de cursos de comunicação, marketing e negócios, mestre em políticas públicas, MBA em Tecnologia da Informação e e-Business com formação em jornalismo. É gestora e professora do programa de cursos De Olho na Rede (Facebook.com/deolhonaredecurso)

Referências

BROWN, Tim; YAMAGAMI, Cristina. Design Thinking: Uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias.  eBook Kindle. Rio de Janeiro: Alta Books, 2018.

ESTADÃO, Blog do Empreendedor. O que é design thinking e como usá-lo em processos de inovação nos negócios. De 11/jun/2019. Disponível em: https://pme.estadao.com.br/blogs/blog-do-empreendedor/o-que-e-design-thinking-e-como-usa-lo-em-processos-de-inovacao-nos-negocios/. Acesso em 14/jun/2019.

Vianna e Silva, Maurício José; Silva Filho, Ysmar Vianna; Adler, Isabel Krumholz; Lucena, Brenda de Figueiredo; Russo, Beatriz. Design thinking: inovação em negócios. Rio de Janeiro: MJV Press, 2012. 

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