Querida, encolhi o PABX… ATÉ ELE SUMIR!

por Marco Barnaba

Lá em 1952, um ano após meu pai chegar da Itália, ele se empregou na fabricante sueca de telecom, a gigante Ericsson e, acredite, ela era sediada na Rua Vitória na Santa Efigênia, região que em alguns anos ficou (e ainda é!) famosa por ser o centro de eletroeletrônicos mais famoso do Brasil. 

E foi lá, nesse fabricante, que ele começou a ter os primeiros contatos com uma máquina eletromecânica chamada PABX (da sigla: Private Automatic Branch Exhange ou traduzindo, Troca Automática de Ramais Privados), uma revolução tecnológica mais ou menos do tamanho de um guarda-roupa, repleta de placas com relês, componentes soldados, um pouco barulhenta, mas com um resultado eficaz dentro do objetivo que se pedia dela. Convivia-se ainda com o PBX, que necessitava de um operador (telefonista) para a conversação entre os ramais dos usuários. Resumindo: O PABX fazia (faz) o papel do PBX, que era receber as linhas telefônicas da rede pública e distribuí-las para os ramais internos e vice-versa, sem a necessidade de um operador humano; não precisamos nem dizer que o PBX foi ficando obsoleto até sair totalmente de linha. Na verdade as centrais automáticas já existiam desde 1922 no Brasil, porém era uma exclusividade das centrais públicas e reservadas para as grandes companhias telefônicas, só muitas décadas depois foram disponibilizadas e adaptadas para o mercado privado.

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Os cabos que interligavam os ramais ao PABX eram de dezenas de pares coloridos, às vezes centenas, e sem nenhum exagero, instalar era uma verdadeira obra de arte, não era para os fracos, e sim especialistas que conviviam com uma regulamentação que realmente funcionava e até mesmo impedia que ligassem as linhas telefônicas se estivesse fora dos padrões rígidos na época. 

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Mas na década de 70’ tivemos o início da migração da era analógica para a era digital, isso se deveu à troca de componentes eletromecânicos por processamentos digitais, estendendo-se a outros componentes funcionais das centrais, dando origem assim à era das CPAS (Centrais Telefônicas controladas por Programa Armazenado), juntamente com isso vieram os telefones com teclas substituindo os velhos discos, que facilitavam e muito a discagem. 

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Voltando ao mercado privado, bem no meio da década de 1980, tivemos uma novidade que iria transformar os guarda-roupas em pequenos frigobares, o PABX ELETRÔNICO, lembra-se das CPAS? Devido aos circuitos integrados, transístores e um engatinhar de programação de software, diminuíram de tamanho consideravelmente e os cabos que eram grossos, foram  substituídos por cabos de pouquíssimos pares (internamente) até chegar a apenas dois fios, assim sendo as redes internas baratearam, os especialistas em instalações foram ficando fora de moda e no lugar deles surgiram os puxadores de fio e programadores de aparelhos telefônicos. 

E o PABX foi sofisticando com o processamento de espacial para temporal (CPA-T), diminuindo de tamanho (a central) e aumentando significativamente suas funções com dezenas de facilidades para agradar o exigente cliente de telefonia que já estava se familiarizando com os computadores pessoais, ou seja, não seria qualquer coisa que o deixaria satisfeito. A evolução tecnológica atingiu as grandes operadoras de telefonia que lançou ao mercado corporativo o entroncamento digital E1 (R2D2 ou ISDN), deixando de lado, aos poucos, as linhas analógicas, fazendo com que os fabricantes de PABX também fossem obrigados a baratearem os hardwares, numa competição fortíssima entre si, fazendo com que até mesmo os clientes de pequeno porte pudessem se beneficiar das facilidades do entroncamento digital.

E aí chegou a internet… que trouxe o Voip (Voice over Internet Protocol), e chegamos por fim na telefonia IP (mas demorou, hein?!). 

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Através de um meio físico ou virtual, entregamos as mesmas facilidades de pabx e outras mais atualizadas, tais como: gravação digital, vídeo conferência, salas de conferência, relatórios gerenciais completíssimos, etc… Além de aplicações onde a imaginação levar, de acordo com o gosto do cliente. Lembram-se do guarda roupa? Do frigobar? Dos telefones de disco? Nada disso existe mais, e nem sabemos onde está o pabx fisicamente, pois ele está em algum lugar do mundo usando a grande nuvem da internet para trafegar voz, dados e imagem; e assim o PABX sumiu… Mas isso é outra história para contar na nossa próxima coluna.

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por Marco Barnaba

Especialista no mercado Telecom de Operadoras e Distribuidoras, empresário e gestor comercial. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marco-a-barnaba-18952323/

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