Para a IBM, esta empresa mineira de IA é a melhor da América Latina

Responsável pela solução educacional de inteligência artificial Speck, companhia mineira Kukac foi considerada pela IBM uma das melhores do mundo no setor

A gigante norte-americana IBM premiou no último mês de fevereiro as melhores soluções de inteligência artificial ligadas à sua plataforma Watson. E no palco da cerimônia, realizada durante o evento anual Think, estava um nome brasileiro: o da empresa Kukac. Responsável por uma solução educacional chamada Speck, a companhia mineira foi fundada no final de 2015 — mas sua história se estende por bem mais do que quatro anos.

A empresa que criou o Speck tem, na verdade, 31 anos e originalmente se chamava Plansis, conforme contou Roberto Francisco, hoje CEO da Kukac, em entrevista a EXAME. O nome, porém, foi deixado de lado ainda em 2016, assim como o foco original da empresa, em consultoria. Tudo porque um plano, de criar uma unidade de computação cognitiva dentro da companhia, deu mais certo do que os donos dela esperavam.

“Nós criamos um braço na Plansis em 2014 para trabalhar com o desenvolvimento de aplicações de IA, mas logo percebemos que ela cresceria e precisaria ser mais importante que a marca principal”, explicou Francisco. “Tanto que no fim de 2015, nós o transformamos em uma empresa e traçamos um plano para termos relevância no mercado de IA até o fim de 2016. Mas aconteceu mais rápido do que a gente antecipou, e em março já tínhamos reconhecimento da IBM e passamos a atrair a curiosidade de clientes.”

Foi a deixa para trocar a marca antiga pela nova. A Kukac ganhou um novo endereço, um novo escritório e passou por uma transformação digital, como o executivo descreveu. A empresa logo começou a investir em soluções baseadas em IA. E depois de uma primeira tentativa com o serviço Free Valorize, para avaliação de companhias, a marca recém-nascida deu vida ao agora premiado Speck. Mas o que ele faz, afinal?

Aprendizado adaptado

A ferramenta criada pela Kukac usa como base um conceito chamado “lifelong learning”, ou “aprendizado pela vida toda”. O que o Speck faz é uma avaliação socioemocional e cognitiva de uma pessoa — um aluno em uma escola ou um candidato a vaga em uma empresa — com base em um texto e em informações que ela mesma submete na plataforma.

A solução usa a inteligência artificial do Watson para ler e interpretar os dados e, assim, traçar um perfil da pessoa, destacando forças e carências. Com base nisso, a escola ou a empresa pode definir o melhor plano de estudos ou de carreira, dependendo caso e fazer um acompanhamento mais de perto caso identifique algum problema. A plataforma também permite acompanhar a evolução das pessoas por meio de novos testes, e recomenda que pelo menos quatro avaliações (e no máximo oito) sejam feitas no decorrer de um ano. Quanto mais dados forem fornecidos, melhores serão os relatórios gerados pelo Speck.

Essa proposta diferente foi o que, na opinião de Francisco, levou a IBM a reconhecer o trabalho da empresa mineira. Durante o Think, a companhia foi classificada como a “campeã” da América Latina e ficou entre as sete melhores soluções no mundo que usam o Watson. Agora, os próximos passos para subir nessa classificação envolvem mais inovações. Os planos dos mineiros para 2019 e 2020 são lançar um robô-tutor, o L3HD, para ajudar no acompanhamento de alunos, e transformar o Speck em um ecossistema com uma moeda interna.

 

Por Gustavo Gusmão

Fonte: Exame

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