DNA de Segurança

A internet das coisas leva a segurança eletrônica a um novo patamar com soluções mais inteligentes e eficientes e promete revolucionar o mercado

 

Estimativas apontam mais de 50 bilhões de disposi tivos conectados em 2020, o que irá atrair empresas, estudos e iniciativas no mundo para este u n i v e r s o a i n d a em desenvolvimento. Com base em números recentes, não é difícil imaginar. Assim como a internet mudou a forma como as pessoas vivem, trabalham e se comunicam, IoT leva a tecnologia a outro nível, sinalizando a próxima grande revolução tecnológica.

A Internet das Coisas é o uso inteligente das tecnologias habilitadoras – um guarda-chuva que se abriu para vários tipos que se desdobram com o tempo. Na segurança eletrônica, estamos às portas do momento de disruptura do mercado causado pelo crescente investimento das empresas em soluções mais integradas e inteligentes. “Eu acredito que algumas iniciativas trarão disruptura na área da segurança eletrônica e rastreamento veicular.

Tecnologias novas como celulares em 4G LPWA CATM e NB-IOT trarão de forma massiva benefícios como baixíssimo consumo de energia atrelado a maior capacidade de cobertura e penetração  da rede”, enumera Marcio Fabozi, diretor da Sierra Wireless, empresa que fornece tecnologia de comunicação sem fio e geolocalização (GPS).

De acordo com Fabozi, estas novas tecnologias trazem uma diminuição significativa no preço e na complexidade dos produtos e soluções, o que torna interessante o uso das mesmas. Tecnologias como Inteligência Artificial, realidade virtual/aumentada, business intelligence, computação em nuvem e mais estão presentes nas soluções que irão revolucionar a segurança eletrônica.

 

Iniciativas trarão disruptura na área da segurança eletrônica. Tecnologias novas trarão benefícios como baixíssimo consumo de energia atrelado a maior capacidade de cobertura e penetração da rede

 

NO MERCADO

Muitas soluções disruptivas já estão sendo aplicadas na prevenção e combate à violência. As principais empresas do mercado começam a dar sinais de mais investimento em tecnologia e destacam as soluções mais avançadas no combate e prevenção à criminalidade. Luiz Roberto Mariano, diretor comercial da Segware, enumera os produtos que já estão entrando nessa tendência. “My Security, BI, Sigma Cloud. É uma tendência. Como empresa de tecnologia, temos que acompanhar as tendências para que o nosso produto seja sempre o mais moderno e a Segware se consolide como uma empresa de vanguarda”.

A mesma busca pelo desenvolvimento com foco em IoT tem ocorrido na operação da Virtueyes. “Buscamos atuar em parceria com Startups e Parques Tecnológicos para fomentar novas soluções nesse meio. Acreditamos que com o conhecimento compartilhado podemos desenvolver em conjunto Produtos  e Serviços que podem contribuir de forma significativa no desenvolvimento do universo IoT/ M2M”, explica Taize Wessner, CEO da Virtueyes. A marca disponibiliza para os clientes a plataforma V.Eye, de acompanhamento dos SIM Cards e suas conexões.

Com isso, está presente em diferentes áreas da indústria, como na meteorologia, com a parceria desenvolvida com a Allexo, para monitorar oito usinas de minério de ferro no Brasil, da empresa Vale. As possibilidades indicam um momento frutífero para os agentes do segmento. Desde conexões seguras e sem fio, pode-se analisar vários dados na nuvem e trabalhar de forma preditiva e analítica, além de realizar a análise de imagens de câmeras e identificação de padrões de pessoas, objetos. “Temos uma vasta gama de empresas como a ViaWeb, Absolut Mobile, Honeywell, PPA.

Oferecemos tecnologia de comunicação sem fio e geolocalização (GPS), principalmente tecnologia celular (módulos embarcados), que é o elemento principal de comunicação de qualquer produto sem fio, como, por exemplo, uma central de alarme da ViaWeb”, conta Frabozi, da Sierra Wireless, que acredita em uma rápida adaptação de todo o mercado com as novidades. Dois anos atrás, a Getrak passou a dar mais atenção ao novo cenário que começava a se formar, buscando desenvolver novas soluções para atender à crescente demanda do segmento. “Nossa plataforma desenvolvida engloba o hardware de baixo custo e uma plataforma de machine learning específica para este mercado.

Os desafios foram grandes por se tratar de novas tecnologias, mas já estamos colhendo os frutos de nossos investimentos”, conta Frederico Menegatti, diretor executivo da Getrak. De acordo com Robson Arantes, coordenador do Comitê de IoT da ABESE, quanto mais contato as empresas tiverem com  o desenvolvimento das tecnologias habilitadoras, haverá mais possibilidades de identificar potencial para investir dentro da segurança eletrônica. “Por isso reforço a importância da criação de políticas direcionadas ao desenvolvimento de Iot dentro das empresas, buscando o apoio de entidades especializadas para dar o adequado direcionamento, como ocorre no Comitê de IoT da ABESE que vem participando de consultas da Anatel e possui uma cadeira no MCTIC”, explica Arantes, que destaca também a importância das empresas se envolverem no que é desenvolvido pela Câmara de IoT.

 

“Quanto mais contato as empresas tiverem com as tecnologias habilitadoras, haverá mais possibilidades de investir”

 

 

REPRESENTATIVIDADE

Durante a Exposec 2018, aconteceu a primeira reunião do Comitê de Internet das Coisas da ABESE, que trouxe reflexões sobre os caminhos do setor com os adventos tecnológicos aplicados às soluções. No mesmo dia, foi anunciado o convite do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Telecomunicações (MCTIC) para que a ABESE passasse a integrar a Câmara de IOT – um grande passo para a representatividade do mercado, que está ganhando familiaridade com o universo da Internet das Coisas.

Atualmente, existem várias inovações e programas de incentivo, como o Plano Diretor de IoT e pesquisa pública do BNDES para fomento de soluções IoT, no valor de R$ 15 milhões e outra para aceleração de 60 startups nas áreas da saúde, transporte e segurança,  entre outras. Além do FINEP, que lançou um programa de financiamento de R$ 1,5 bilhões para projetos de Internet das Coisas.

O Brasil está presente em eventos internacionais que debatem os rumos das tecnologias e suas aplicações, como o IoT Week 2018, que aconteceu em Bilbao (Espanha). Durante o evento, aconteceu um campeonato de startups, cuja vencedora foi uma empresa brasileira. Por isso a atualização das empresas é fundamental para o desenvolvimento do mercado e a quebra de antigos modelos, abrindo caminho para as inovações. “O conceito de IoT vem para quebrar com os  modelos ‘velhos’. Portanto, uma empresa que não adere à política de IoT, está à deriva tecnológica e fadada a ter muitos problemas”, explica Selma Migliori, presidente da ABESE.

Hoje, o Brasil é um player de definição tecnológica mundial. As empresas estavam acostumadas a esperar as definições e tentar utilizá-las antes de ficarem obsoletas – hoje, o país pode investir, participar e colocar a sua visão de negócio junto a todas as ações internacionais. Uma das missões da ABESE é representar as empresas de segurança eletrônica e mostrar que podem ser protagonistas, desde que participem de eventos, acompanhando os desenvolvimentos na área e investindo em IoT. “A primeira coisa que analisei no Comitê de IoT foi a enorme sinergia com a segurança eletrônica. Se o DNA da ABESE é tecnologia, e como não se pode falar de tecnologia atualmente sem falar de IoT, logo, o DNA da ABESE, hoje, é IoT”, analisa Arantes.

 

“Haverá desafios e oportunidades. Acredito que neste novo cenário, o mercado irá se expandir em uma velocidade nunca antes vista”

 

NOVOS MODELOS

E a Internet das Coisas também está ditando o novo momento para nas principais capitais mundiais. O conceito de Smart City tem definido as referências em integração de economia, acessibilidade, urbanismo e segurança e faz a demanda do setor de sistemas eletrônicos de segurança crescer.

O Ranking Smart Cities divulgou, no início de setembro, que Curitiba é a cidade brasileira mais inteligente do país, com destaque para Ipojuca, em Pernambuco, que novamente foi escolhida na categoria de segurança.

Já Santo André, em São Paulo, será a primeira a utilizar o Rastro, sistema de identificação, rastreamento e autenticação de mercadorias do Governo Federal, que visa dotar os sistemas públicos de tecnologia para rastreamento de cargas e frotas, criado para integrar as políticas de rastreamento do país, criando um sistema de gestão integrada de identificação, planejamento e controle.

Outro destaque com foco em segurança, é a escolha da Paraíba como o primeiro Estado do  Brasil a adotar um sistema eletrônico de monitoramento de presos, com uma tecnologia que chega para substituir a tornozeleira eletrônica, sendo mais barata, eficiente, discreta e aplicável para a ressocialização dos detentos.

A ferramenta é chamada IDBio e monitora o presidiário por meio de reconhecimento facial e identificação de voz e digitais. A tecnologia ainda está sendo aprimorada e deve funcionar em um aparelho específico, onde é retirado o sistema operacional do equipamento e é embarcado o sistema operacional do IDBio.

CUIDADOS PARA TOMAR

Um dos principais conceitos do mercado é o security by design, que promove o cuidado com a segurança das informações. Em 2018, a Kaspersky Lab, empresa russa produtora de softwares de segurança, detectou mais de 30 mil dispositivos IoT infectados em toda a América Latina.

Apenas no Brasil aconteceram 72% deles – o país também é alvo de 23% dos ataques globais. Pensando em manter a segurança dos dispositivos, além de proteger as empresas e consumidores, a Anatel abriu um processo de consulta pública para coletar sugestões para regulamentar a IoT no país.

A agência busca criar uma certificação para os dispositivos, estabelecendo exigências e especificações de segurança para o uso, pensando em casos de ataques online e roubo de informações – o que deve acontecer com frequência, levando em consideração a rapidez com a qual o setor tem se desenvolvido.

HORA DA VIRADA

A velocidade das inovações surge como ponto positivo para os agentes da segurança eletrônica. “Será necessário repensar a forma de se relacionar com nossos clientes. Haverá desafios e oportunidades para a cadeia de valor do nosso mercado. Acredito neste novo cenário, o mercado de segurança eletrônica irá se expandir em uma velocidade nunca antes vista”, afirma Menegatti, da Getrak.

Um dos programas que poderá ter papel fundamental na virada do mercado é o Caninos Loucos, que se trata de um hardware open source, que desenvolve Single Board Computers (SBCs) para Internet das Coisas (IoT) , e possui três modelos em desenvolvimento, que prometem revolucionar o mercado.

O mais recente deles é a Pulga, uma placa aberta, no tamanho de uma moeda de 10 centavos, composta por um sistema interno Linux, com sensores, comunicação direta com a internet por baixo custo e capacidade de computação de analítico de vídeo. “Isso vai revolucionar o mercado.

Calculo um custo aproximado de 15 dólares, quando for produzido em escala, para um dispositivo que funciona como um computador completo e é facilmente instalado em um sistema de portaria remota, por exemplo”, explica Arantes. A redução de custo será o principal fator de mudança para o segmento.

Os mesmos sistemas que hoje ultrapassam dezenas de milhares de reais, poderão ser adquiridos por menos de 100 reais, com a mesma capacidade – ou superior – e podendo armazenar na nuvem uma quantidade nunca antes vista de dados. “A Internet das Coisas já está acontecendo, o modelo proposto pelo projeto é totalmente disruptivo, portanto as empresas precisam se atualizar e acreditar que estas inovações irão mudar para sempre o destino da segurança eletrônica”, conclui.

 

Fonte: https://abese.org.br/index.php/406-dna-em-seguranca

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