Deep e dark web, entenda o lado escuro da internet

Por Ivone Rocha

Nos últimos tempos temos ouvido com certa frequência esses dois termos: deep e dark web. Há também quem nem goste de citá-los, por entender se tratar de algo obscuro, perigoso, criminoso. O que haveria de obscuro nisso? É preciso, primeiro, entender o conceito de ambos. 

Antes, porém, vamos compreender a surface web (superfície da web, em português). Ela representa toda a parte indexada da web, ou seja, a parte pública, aquela que está no grande índice da internet. Numa analogia ao iceberg, ela seria a parte que fica acima da superfície do mar. A outra, a que fica submersa seria a deep web.  Não se sabe quais são essas partes disponíveis ou indisponíveis. Há quem diga que são só 4% disponíveis e os 96% seriam as demais, no entanto, ninguém confirma, até porque a todo momento aumenta muito o volume de dados na internet.

Se a deep web corresponde à parte submersa, qual seria, então, a parte que compreenderia à dark web?  Imaginando esse iceberg, podemos dizer que a dark web seria a parte mais e mais profunda. Sendo assim, podemos considerar que nem tudo o que é indexado é ilegal, ilícito, antiético, criminoso.

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A deep web é um local onde há dados que, por algum motivo, não podem ficar disponíveis. Podem ser informações confidenciais de negócios, de clientes, de produtos ainda em testes, entre outros. Pode ser resultado de um benchmarking, por exemplo. Mas, pensando de outra forma, pode também ser um local de dados considerados criminosos.  O acesso a essas informações está disponível apenas por meio de uma codificação difícil (ou quase impossível) de ser interpretada ou capturada, cuja conexão ocorre em grupos bastante específicos, com habilidade e competência bem particulares. Esses grupos são identificados na web como organizações secretas. Os membros dessas organizações podem acessar os dados na sua totalidade ou apenas por camadas. 

Já a dark web, como seu próprio nome, é o lado escuro da web, é onde as pessoas com princípios éticos e avessas ao crime não querem estar, como explica o site Tecmundo, em reportagem de 3/mar/2018. Nessa área há uma complexidade grande de criptografia, ou seja, os códigos de acesso são extremamente difíceis e geralmente acessados por pouquíssimas pessoas, aqueles usuários com conhecimento bem avançado em criptografia. Seus domínios são completamente sem sentidos, ou seja, ninguém conseguiria digitar em uma busca ou encontrar em uma senha. O que se veicula nessa parte da web? Crimes dos mais variados, envolvendo pedofilia, uso, tráfico e armazenamento de drogas ilícitas, armas, terrorismo, entre outros. Há troca de informações sobre esses assuntos nas conexões. Assim sendo, a diferença entre ambas é que a deep compreende a toda a parte submersa da web e a dark representa uma parte dela, a mais profunda.

Acesso às áreas submersas

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O acesso à deep web não pode ser feito por navegadores comumente utilizados por usuários de internet, como o Chrome, o Firefox, Safari, Internet Explorer, , para citar alguns. Navega-se pelas partes submersas da web pelos browsers TOR (The Onion Router), i2p e Free Net. 

O TOR é o mais conhecido e, portanto, o mais utilizado. Sua rede pública se diferencia da surface por utilizar o ponto onion (.onion) e não o ponto com (.com). Seu funcionamento é da seguinte forma: “quando o usuário entra em um domínio – de qualquer tipo –, o pedido passa por vários servidores, criando uma grande teia, o que torna rastreamento praticamente impossível”, como explica o TecMundo. 

O i2p é considerado o mais seguro e também o mais rápido, embora ainda pouco utilizado. Diferentemente do IP (Internet Protocol), ou protocolo de internet que já conhecemos, os protocolos que criptografam as informações do navegador i2p são o UDP (User Datagram Protocol) e o NTCP (NEESgrid Teleoperation Control Protocol).

O terceiro navegador citado, o Free Net, pode ser acessado a partir dos navegadores conhecidos – exceto o Internet Explorer – para conectar os ambientes anônimos disponíveis abaixo da surface. Ele se utiliza de dados de computadores de outros usuários para funcionar. E seu desempenho ocorre de acordo com níveis de segurança que podem ser Low security ou High security. O Low security possui uma proteção simples, cujas informações podem ser rastreadas por pessoas com maior habilidade, conhecimento e competência em sistemas de codificação, com possibilidade de ampla navegação.  Já o High security, em português, alta segurança, permite que se tenha uma rede fechada, com grande dificuldade de ser rastreada, mesmo que o usuário tenha amplo conhecimento em criptografia, porém, sua navegação é limitada. 

Como as empresas podem se precaver dos riscos provocados pelas informações submersas da web? Primeiro, é preciso fazer backup de seus dados, depois atentar para os sistemas de segurança. É importante, também, ter cautela na disponibilização de seus dados, pois eles podem ser transformados em armadilhas. A atenção também deve ser redobrada em relação aos seus domínios. URLs com semelhanças devem ser adquiridas, por exemplo, aquelas com terminações “.com”, “.net”, “.com.br”, entre outras. 

Outra recomendação importante para evitar riscos por parte das empresas, é conhecer muito bem os colaboradores, parceiros e fornecedores. Eles precisam ser idôneos, transparentes e preocupados com causas semelhantes. Qualquer desconfiança que ocorra, deve ser imediatamente investigada. 

Afinal, quando tudo isso começou?

Esse mundo escuro e escondido da web existe desde o início da internet, entre1969 e 1970, nas primeiras conexões da ARPANET, e recebia o nome de darknets, compreendendo as URLs desconhecidas, não indexadas, que carregavam consigo informações sigilosas e estratégicas, sobretudo dos Estados Unidos, em relação a decisões e projetos de ordem política, econômica e social. 

Esse termo darknet foi evoluindo até a década de 2000, quando foram publicados os artigos “O valor escondido da deep web”, de autoria do filósofo analítico americano Michael Bergmann, e “A darknet e o futuro da distribuição de conteúdo”, escrito por quatro pesquisadores da Universidade de Stanford. 

O navegador TOR surgiu na década de 1990 no Laboratório de Pesquisa Naval americano, pelas mãos dos órgãos militares dos Estados Unidos. Segundo outra reportagem do TecMundo, de 3/nov/2018, “A ideia do projeto inicial, dos cientistas Paul Syverson, Michael G. Reed e David Goldschlag, era uma forma de mascarar a identidade online de agentes em missões de campo ou até informantes infiltrados. O nome dele é a sigla para The Onion Routing, ou roteamento cebola.”

Por Ivone Rocha

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Consultora de negócios eletrônicos e pedagógica, professora universitária de cursos de comunicação, marketing e negócios, mestre em políticas públicas, MBA em Tecnologia da Informação e e-Business com formação em jornalismo. É gestora e professora do programa de cursos De Olho na Rede (Facebook.com/deolhonaredecurso)

Referências:

TecMundo. A história da Deep Web, o submundo da internet , de julho/2018. Disponível em: https://www.tecmundo.com.br/internet/131843-historia-deep-web-submundo-da-internet-video.htm

TecMundo. Qual é a diferença entre dark web e deepweb? De março/2018. Disponível em: https://www.tecmundo.com.br/internet/128029-diferenca-entre-dark-web-deep-web.htm

TOR Project. Disponível em: https://www.torproject.org/download/

FreeNet Guia Rápido. Disponível em: https://zilionweb.wordpress.com/2017/04/23/freenet-guia-rapido/

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