Afinal, o que é a resiliência?

Por Fernanda Catalano

“É preciso continuar, não consigo continuar. É preciso continuar, então vou continuar” segundo o escritor irlandês Samuel Beckett: o trânsito desafia os nervos, mas prosseguimos; o salário mingua, mas damos um jeito; o mal-estar crônico detona uma nova crise, mas saímos a caça de alívio. Nos superamos a cada passo dado, ainda que titubeante. E avançamos, nos embrenhando mar adentro, a despeito das ondas que insistem em nos derrubar.

E aquela história de que existe uma mola propulsora em todo poço fundo. Você bate o pé lá e volta. Podemos chamá-la de resiliência, termo emprestado da física e que se popularizou nas últimas décadas. Na física, significa a propriedade que alguns materiais têm de acumular energia quando exigidos ou submetidos a tensão de não romper. No nosso cotidiano, é a capacidade de sofrer o impacto das adversidades, se abater, envergar até, mas dar a volta por cima e sair transformando das situações estressantes. Quem nunca se sentiu mais autoconfiantes ao abandonar um sufoco financeiro? Ou mais solidário e humano após passar por uma grave doença? Esse tipo de “colheita” acalenta a alma e mostra que as agruras que tivemos de enfrentar não foram em vão.

Nas fases pedregosas, temos, no mínimo, três possibilidades à nossa frente. Sucumbir em face das contrariedades, balançar e depois voltar para o eixo ou absorver o impacto das dificuldades e crescer como aprendizado.
Segundo o psicólogo americano Martin Seligman, referência na área de psicologia positiva, quando algo nos desagrada, temos que nos esquivar dos três “pês”: achar que é o culpado pela situação (personalização), que o problema em questão contaminará todos os setores da vida ( permeabilidade) e que ele durará para sempre ( permanência). Lembrar disso como se fosse um mantra constante ajuda a ajustar o foco e sair da lamúria.

Portanto, é fundamental manter a disponibilidade de mudanças, para conhecer o que ainda não sabe, que tal pensar num plano B? Já pensou quanta energia seria desperdiçada se a água do rio insistisse em abrir caminho furando cada rocha pelo caminho?

Pense nisso!

Fernanda Catalano
Consultora empresarial – headhunter
Formada em Filosofia, mestra em ciências da religião pela PUC
Pós-graduada em psicologia fenomenológica e gestão estratégica de pessoas

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